desenho narigudas e cabeçudos
11.6.10

nos últimos dias de grávida, o meu querido marido fracturou (na altura julgava-o apenas torcido) um pé no futebol (alguma vez aqui escrevi o meu ódio a esta febre colectiva estupidificante?) e foi-lhe colocada uma tala de gesso, e muletas, para estabilizar, só não me estabilizou foi os nervos que esta situação me causou, porque só de imaginar a criança nascer e o meu ajudante estar coxo era demais.

 

mas sim aconteceu, e coisas práticas e de fácil resolução transformaram-se em dramas crescentes.

 

a começar pelo facto de não conduzir e sobrar eu com uma barriga de fim de tempo a única apta a fazê-lo.

 

claro que na minha cabeça e graças ao meu rico (mau) feitio, e visto que isso seria o trunfo dos trunfos, comecei a namorar a ideia de ir eu, sozinha, a que horas fosse, para a maternidade, o que aos olhos de todos era a loucura, sobretudo porque moramos em Algés e a maternidade é no Saldanha.

 

quase que aconteceu.

na manhã antes de ter dado entrada na maternidade, levei a Migalha à escola, e fui para a MAC tal como tinha combinado com o meu médico, para CTG e toque.

muito croma, arranjei um lugar mesmo em frente às urgências, e teria sido perfeito se tivesse sido logo para ficar.

 

mas depois de uma manhã inteira na MAC fui para casa, com a indicação de que estava para breve, mas não iminente.

fui para casa e claro que não conseguindo estar quieta, pus-me a forrar a cómoda.

 

estive até às dez da noite nestes trabalhos, altura em que me fui finalmente deitar.

e aqui começaram as contracções.

como da primeira vez me rebentaram as águas, calculei que desta fosse igual, mas não.

e com contracções fiquei com receio de ir a conduzir sozinha, apesar de ser um instante à noite o caminho para a MAC (A5 - túnel do Marquês - 10 minutos).

marido coxo, criança a dormir, família alerta mas no centro de Lisboa, sobravam o INEM e os Bombeiros.

 

- mulher sozinha, segunda gravidez, sem meios de se deslocar à maternidade, em 10 minutos estavam à minha porta.

 

2 miúdos, fascinados desde logo comigo, porque foram apanhados de surpresa pela minha chamada a meio das aulas noturnas de formação de transporte de grávidas!! há gente com pontaria!! um deles muito entendido em partos uma vez que tinha visto a filha nascer, saliente-se visto, não tinha feito nadinha, só visto!

 

- boa noite, quero ir para a MAC!

- não, vamos levá-la para o Hospital de S. Francisco Xavier!

- não, vou para a MAC!

- o que é isso?

- hã!? Maternidade Alfredo da Costa!

- não sei... onde fica?

 

após muita insistência minha e após os informar que se me transportassem para o HSX eu não passava da porta (a minha família entretanto já estava a caminho para me levar para a MAC) e depois de lhes dizer que tinha estado na MAC de manhã, tinha todos os exames feitos, fazia muito mais sentido, lá se conveceram e obtiveram autorização para me transportar para esse sítio estranhíssimo chamado Maternidade Alfredo da Costa!?

 

e é preciso dizer que se perderam, já no Saldanha, mas perderam-se.

e pararam para perguntar onde ficava! eu julgava que um condutor do INEM era uma espécie de GPS humano que até de olhos fechados saberia o caminho para qualquer hospital e em qualquer circunstância!

cheguei a acreditar que me achavam louca e desprovida de cerébro, porque pela quantidade de vezes que soletrei o nome da maternidade com a barriga a contrair até eu duvidei da minha sanidade.

eu da minha maca, deitada, lá ía reconhecendo o caminho pela fresta da janela, mas a certa altura já não via bem onde estava.

por sorte encontraram outro carro do INEM e lá fomos bem encaminhados.

 

(continua)

 

nota: não tenho nenhuma queixa do HSX, nunca lá fui, mas em caso de necessidade irei concerteza, mas para ter bébes, a MAC será sempre a minha 1ª escolha.

 

Por cacau com pimenta rosa, às 10:13 

De Oficinas RANHA a 11 de Junho de 2010 às 11:53
ehehe
Essa de não saberem o que era a MAC é de mesmo para rir. É que, ainda é a maior maternidade do país... E o mais engraçado é que se calhar algum deles até nasceu lá.
Beijinhos da Ana Cristina

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