desenho narigudas e cabeçudos
29.6.10

eu desta vez tive um bébé.

da primeira vez pari e pari bem, as dores, o desconforto, o caos, o horror.

 

desta vez é que foi.

 

lá fui para a minha box, já cheia de contracções, mas não demorou muito para que me dessem a epidural.

 

os melhores vinhos no inverno, as melhores e mais suculentas sangrias no verão, vinhos verdes com marisco, nadinha nunca me deu tanto prazer como esta epidural.

 

desta vez resultou.

a sensação absolutamente zen das dores desaparecerem é indescrítivel, para mim foi.

 

o ainda "futuro-pai-coxo" lá me foi fazer companhia e ali ficámos a descansar, ou a tentar porque das outras box volta e meia vinham gritos de guerra logo seguidos de choro de bébé.

 

e há mulheres que gritam a sério, não são gemidinhos medriquinhas, nem aiais que vou parir o maior cabeçudo da história, são gritos que lhes vêem das entranhas, e para quem ainda estava na fila, como eu, nadinha animador.

 

entretanto as dores voltaram, deram-me um reforço, e quando eu pensava que ía levar outro reforço, entra uma enfermeira, e sem que eu me apercebesse já me estava a mandar fazer força.

era a enfermeira parteira, e eu nem me apercebi, só quando a vi toda equipada e a mandar-me fazer força.

e se eu fiz força.

 

correu tudo bem.

nasceu a Mercês, com 3,550kg e 51cm, linda.

outro bébé grande, o que é um fenómeno porque eu e o pai somos pequenos.

 

levei uns 3 pontos por causa de um vaso que rebentou, mas nem os senti nos dias seguintes.

alegria das alegrias, conseguia sentar-me e levantar-me e caminhar sem problemas.

 

a segunda vez foi mesmo fácil para mim, sobretudo tendo em conta a primeira.

 

os dias na maternidade foram pacíficos.

mas a falta de respeito que algumas das enfermeiras têm pelas mães e bébés é inacreditável.

apesar de ter tido a sorte de ficar num quarto de 2 camas, estava mesmo ao lado da sala dos bébés, onde existe uma televisão com o volume no máximo até perto da meia noite, um inferno.

algumas enfermeiras falam aos gritos de todo o tipo de assunto.

enfim.

 

os pediatras também se mostram profissionais, até demais visto a que veio ver a Mercês na primeira manhã estar com uma disposição horrível e não parar de falar no filho bébé que já devia estar a mamar e tal e que não tinha vida para isto e mais não sei quê, interessada era ela, em assuntos relacionados é certo, mas relacionados com o seu bébé (compreendo-a, mas no mínimo devia disfarçar), mas os obstetras são, como dizê-lo sem ofender a classe que trabalha na MAC?

pouco interessados, ou estão-se nas tintas, ou estão-se pouco borrifando, ou querem lá saber.

os dois que passaram pelo meu quarto, entraram e perguntaram está tudo bem? então se sim tem alta, adeus bom dia.

não era suposto pelo menos observar as puérperas? assim só pela via das dúvidas?

 

se eu descrever a obstetra que lá foi, qualquer um que a conheça sabe logo de quem estou a falar.

 

o que vale é que os dias passaram rápido e em menos de nada já estavamos em casa.

 

e já lá vai um mês.

 

já disse que a minha formiga é uma comilona muito bem comportada?

 

 

 

 

 

 

 

 

Por cacau com pimenta rosa, às 23:05  ver comentários (4) comentar

14.6.10

e depois dos meus amigos bombeiros me terem deixado no sítio certo, nada me tinha preparado para o encontro com a Sra Enfermeira da triagem, uma espécie de carrasco (a senhora que me desculpe, mas foi a impressão com que fiquei) com o ar mais antipático que eu me lembro de ver nos últimos tempos ( e eu sou daquelas que defende que não se está ali para ser simpática mas sim para ser boa profissional, contudo um nadinha de simpatia fazia a diferença!).

 

depois das perguntas da praxe, o toque.

 

- quer ter a criança hoje? ou quer ir para casa e voltar de madrugada?

 

- (a medo, respondi) quero ter hoje.

 

- vai doer, não diga que eu não avisei.

 

e sem me aperceber estava de bolsa de águas rebentada, a escorrer por todo o lado.

senti-me tão mal, sobretudo pelo desconforto de estar por trás de um biombo, água a escorrer, contracções, de pé, descalça, e com uma porcaria de folha de papel vegetal, nada absorvente, para me limpar.

foi inevitável e desatei a chorar, e eu para chorar é preciso muito, mesmo muito.

 

depois ouve trocas de palavras azedas com a Sra Enfermeira e da minha parte uma vontade enorme de nunca mais ter que olhar para a cara dela, mas sobretudo não queria aumentar-lhe a má vontade e engoli.

 

daqui para a frente, o normal, ou o anormal, porque se pararmos para pensar, ainda que parir seja muito normal, as figuras que fazemos são memoráveis.

 

microlax (oh Deus!) e passeios no corredor para que faça efeito, já com a bata vestida, descabelada e cheia de contracções.

que me perdoe quem também lá estava, mas a mim aquele corredor parece o manicómio onde mulheres-zombie deambulam para lá e para cá à espera de poderem finalmente dar uso aos 2 tubinhos de microlax, que miséria!

 

depois do microlax, enfiei-me à socapa no duche e lavei-me, não sei se se pode ou não, mas para mim bidés fazem muito sentido, e à falta deles e havendo um duche não resisti.

felizmente a Carrasca não deu por nada!

 

e após esta belíssima recepção, fui para a minha box, o que também é um nome muito apropriado visto já estar num nível tão primário da minha existência.

 

(continua)

 

 

Por cacau com pimenta rosa, às 15:38  ver comentários (1) comentar

11.6.10

nos últimos dias de grávida, o meu querido marido fracturou (na altura julgava-o apenas torcido) um pé no futebol (alguma vez aqui escrevi o meu ódio a esta febre colectiva estupidificante?) e foi-lhe colocada uma tala de gesso, e muletas, para estabilizar, só não me estabilizou foi os nervos que esta situação me causou, porque só de imaginar a criança nascer e o meu ajudante estar coxo era demais.

 

mas sim aconteceu, e coisas práticas e de fácil resolução transformaram-se em dramas crescentes.

 

a começar pelo facto de não conduzir e sobrar eu com uma barriga de fim de tempo a única apta a fazê-lo.

 

claro que na minha cabeça e graças ao meu rico (mau) feitio, e visto que isso seria o trunfo dos trunfos, comecei a namorar a ideia de ir eu, sozinha, a que horas fosse, para a maternidade, o que aos olhos de todos era a loucura, sobretudo porque moramos em Algés e a maternidade é no Saldanha.

 

quase que aconteceu.

na manhã antes de ter dado entrada na maternidade, levei a Migalha à escola, e fui para a MAC tal como tinha combinado com o meu médico, para CTG e toque.

muito croma, arranjei um lugar mesmo em frente às urgências, e teria sido perfeito se tivesse sido logo para ficar.

 

mas depois de uma manhã inteira na MAC fui para casa, com a indicação de que estava para breve, mas não iminente.

fui para casa e claro que não conseguindo estar quieta, pus-me a forrar a cómoda.

 

estive até às dez da noite nestes trabalhos, altura em que me fui finalmente deitar.

e aqui começaram as contracções.

como da primeira vez me rebentaram as águas, calculei que desta fosse igual, mas não.

e com contracções fiquei com receio de ir a conduzir sozinha, apesar de ser um instante à noite o caminho para a MAC (A5 - túnel do Marquês - 10 minutos).

marido coxo, criança a dormir, família alerta mas no centro de Lisboa, sobravam o INEM e os Bombeiros.

 

- mulher sozinha, segunda gravidez, sem meios de se deslocar à maternidade, em 10 minutos estavam à minha porta.

 

2 miúdos, fascinados desde logo comigo, porque foram apanhados de surpresa pela minha chamada a meio das aulas noturnas de formação de transporte de grávidas!! há gente com pontaria!! um deles muito entendido em partos uma vez que tinha visto a filha nascer, saliente-se visto, não tinha feito nadinha, só visto!

 

- boa noite, quero ir para a MAC!

- não, vamos levá-la para o Hospital de S. Francisco Xavier!

- não, vou para a MAC!

- o que é isso?

- hã!? Maternidade Alfredo da Costa!

- não sei... onde fica?

 

após muita insistência minha e após os informar que se me transportassem para o HSX eu não passava da porta (a minha família entretanto já estava a caminho para me levar para a MAC) e depois de lhes dizer que tinha estado na MAC de manhã, tinha todos os exames feitos, fazia muito mais sentido, lá se conveceram e obtiveram autorização para me transportar para esse sítio estranhíssimo chamado Maternidade Alfredo da Costa!?

 

e é preciso dizer que se perderam, já no Saldanha, mas perderam-se.

e pararam para perguntar onde ficava! eu julgava que um condutor do INEM era uma espécie de GPS humano que até de olhos fechados saberia o caminho para qualquer hospital e em qualquer circunstância!

cheguei a acreditar que me achavam louca e desprovida de cerébro, porque pela quantidade de vezes que soletrei o nome da maternidade com a barriga a contrair até eu duvidei da minha sanidade.

eu da minha maca, deitada, lá ía reconhecendo o caminho pela fresta da janela, mas a certa altura já não via bem onde estava.

por sorte encontraram outro carro do INEM e lá fomos bem encaminhados.

 

(continua)

 

nota: não tenho nenhuma queixa do HSX, nunca lá fui, mas em caso de necessidade irei concerteza, mas para ter bébes, a MAC será sempre a minha 1ª escolha.

 

Por cacau com pimenta rosa, às 10:13  ver comentários (3) comentar

9.6.10

será que já posso dizer, agora que já lá vão 2 semanas, que está tudo a correr tão bem e tão calmo, que até parece mentira?

 

e que esta criança nasceu com 3,550kg, come muito bem, e em 2 semanas, não perdeu peso, aliás ganhou mais 100gr?

 

é que quando passo por alguém e dão conta da bébé calminha que levo comigo recebo logo a pérola isso-é-agora-depois-vai-ver!

 

Deus a conserve assim!

Por cacau com pimenta rosa, às 22:51  comentar

4.6.10

 

26.05.2010

05h10m

3,550kg

51cm

 

correu e corre tudo bem!

 

Por cacau com pimenta rosa, às 09:46  ver comentários (4) comentar

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